Falta de compreensão gerada pelas redes sociais

março 14, 2021
Falta de compreensão gerada pelas redes sociais


No último post, falei sobre o que é JOMO (Joy Of Missing Out) + benefícios da vida desconectada, e enquanto eu o escrevia quis detalhar mais sobre um dos tópicos que citei como malefícios das redes sociais: a falha em poder compreender o próximo. Por isso, resolvi criar essa postagem à parte para destrinchar melhor sobre ele.


Destaco que a base que uso para falar sobre isso foi retirada do livro "Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais", do autor Jaron Lanier, que é autoridade no assunto por trabalhar diretamente no "Vale do Silício", tendo acesso à parte dos "bastidores" das grandes empresas de tecnologia, e que apresenta diversas fontes confiáveis sobre o assunto em seu livro.


Quando analisamos esse ponto de falta de compreensão superficialmente, já encontramos problemas. A compreensão tem o sentido de conhecimento, entendimento, percepção, tolerância, entre outros. Mas como podemos compreender alguém que fala uma língua que não falamos?


Quando pensamos "nossa, essa pessoa parece estar falando grego", significa que a comunicação não está boa. E sem comunicação (falada e/ou expressada), a compreensão se torna bem precária. E aí volto ao questionamento: como podemos compreender alguém que fala uma língua diferente da nossa?


Aí entramos no ponto mais profundo da coisa, introduzindo as redes sociais nisso. Quando falamos algo e a outra pessoa compreende, é porque ambos estão vendo/ouvindo/sentindo os mesmos fatos e a mesma situação. Então, podem entrar em um acordo ou expor uma opinião contrária de uma forma que ambos saibam o que está sendo falado. Mas e se as partes envolvidas estiverem vendo situações diferentes, como um vai compreender o que o outro está falando?


Por exemplo, eu acho que um político X é uma pessoa com projetos muito bons e que vai fazer bem para a sociedade, caso seja eleito. Já meu irmão acredita em um político Y, que prega ideias bem contrárias às de X. E, nisso, chegamos a discutir, porque não conseguimos compreender o motivo pelo qual um acredita tanto em ideias que o outro acha absurdas.


O instinto mais comum é ficar com raiva e achar o outro "burro" ou "idiota", e ficar pensando de onde que o outro aparece com defesas tão absurdas do candidato X ou Y. Pois eu digo de onde: das redes sociais.


A questão é a seguinte: eu sigo pessoas e organizações que apoiam o candidato X, então, consequentemente, o algoritmo das redes sociais (e devo ressaltar que isso é comprovado e não mera especulação) vai me recomendar mais coisas a favor de X, e mais coisas contra Y, que é seu oponente.


Então, eu vou ter sempre coisas positivas sobre X, a tal ponto que vou duvidar que as informações negativas sobre ele sejam verdadeiras ou que vou pensar que o lado positivo supera muito o lado negativo. Já sobre Y, apenas receberei informações negativas, a ponto de duvidar de suas boas ações ou de acreditar que qualquer coisa negativa atribuída a ele é realmente verdadeira, por enxergar ele como uma má pessoa, sem checar os fatos. O inverso acontecerá com meu irmão.


Portanto, eu não vou compreender o lado dele, porque não vejo o que ele vê, e vice-versa. E isso é só um exemplo que foi propositalmente falando sobre política, porque é o tema mais recorrente no atual cenário brasileiro, mas que pode ser aplicado a qualquer área, inclusive nas mais "inocentes", que não percebemos de onde vem a divergência de informações.


É importante dizer que pessoas são diferentes e que não há problema algum em discordar e gostar de coisas totalmente opostas. Inclusive, é super saudável que opiniões contrárias sejam expostas e sejam ouvidas, e, mesmo que cada um saia da conversa com a mesma opinião com a qual entrou nela, sairá com a mente mais aberta sobre o outro.


Mas quando um lado não consegue compreender o outro, porque um não vê o que o outro vê, e isso gera discussões sérias, que podem envolver, inclusive, atos criminosos, temos um problema gigante. E isso precisa ser resolvido ao pararmos de considerar como verdade universal, inclusive de forma inconsciente, o que vemos nas redes sociais.


Precisamos desenvolver senso crítico e ouvir o lado oposto de forma saudável. Que tal curtir umas coisas com as quais você não concorda de vez em quando (sem se importar com a opinião alheia, mas apenas com sua própria consciência) e começar a receber um conteúdo diferenciado, para enxergar novos lados, mesmo que você continue sem concordar com eles? Ou que tal se afastar das redes sociais e começar a ouvir mais as pessoas ao redor, de fato? É sempre bom considerar as possibilidades e evitar conflitos desnecessários que parecem nunca ter fim ou, pior, que têm um fim bem ruim.

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