Esperança: mocinha ou vilã?

março 17, 2021
Esperança: mocinha ou vilã?


Há algo que nos move nesse mundo: esperança. Por qual motivo uma pessoa trabalharia, se não tivesse esperança de alcançar novos cargos, reconhecimento ou, simplesmente, o salário no fim do mês? Por qual motivo alguém investiria em uma casa se não tivesse esperança de poder desfrutar dela? O que levaria alguém a conversar com outra pessoa, se não tivesse esperança dela responder?

Dizem por aí que a esperança é a última que morre, justamente porque quando perdemos a esperança, não temos mais sentido em continuar seguindo em frente, perdendo o sentido da nossa própria vida. Afinal, se eu acho que nada vai dar certo amanhã, porque vou lutar por isso hoje?

Mas é necessário que se observe, também, se não há perigo em ter esperança. Afinal, ela é sempre só a "mocinha"? Ou ela pode se tornar a "vilã" da história? Será que a definição da esperança como "mocinha" ou como "vilã" se dá pelo acaso ou temos algo a ver com isso, através das nossas atitudes? Eu tenho uma opinião formada sobre isso, mas acho que deve haver uma reflexão antes de apontar qualquer resposta.

Um exemplo prático: você ama seu aniversário e deseja muito passar ele com alguém específico (um parente, um amigo etc.). Você espera que essa pessoa consiga se esforçar para estar ao seu lado nesse dia. A pessoa te diz que ela não vai poder passar a data com você, mas, no fundo, você ainda acha que ela vai fazer uma surpresa e aparecer. Mas ela não aparece.

Nesse exemplo, a pessoa havia avisado que não estaria disponível, mas entrou o pensamento de que "a esperança é a última que morre". No fim, a expectativa da surpresa foi criada e quebrada. Não se pode culpar quem não compareceu, pois a pessoa já havia avisado isso. Mas será que a esperança do aniversariante pode ser culpada? Não!

E foi justamente isso que me fez trazer essa reflexão: não podemos nos culpar por ter esperança. Talvez ela se torne, sim, uma "vilã", devido à expectativa que ela gerou e foi frustrada. Quando isso acontece, nos sentimos tristes, raivosos ou estúpidos por termos nos apegado à nossa esperança. Mas observe que eu coloquei os termos "vilã" e "mocinha" entre aspas desde o início do texto, porque, na verdade, não dá para a esperança ser 100% boa ou 100% ruim.

Sempre vamos achar bom o que dá certo e ruim o que dá errado, mas deve haver uma consciência de que as coisas vão dar errado em algum momento, e que está tudo bem com isso, porque não nascemos para viver apenas altos, pois há os baixos também. Então, não é errado ter esperança, contanto que seja de algo lícito, que não machuque a ninguém.

Ter esperança é, em certo ponto, ter vida. E se pensamos em deixar de ter esperança para não ter frustrações, pelo fato dela ser "vilã" às vezes, não vamos 'ter' frustação, mas vamos 'ser' frustração. Portanto, que a gente não se culpe, nem culpe aos outros, pelo que esperamos dar certo e deu errado. Quando dá certo, precisamos ser gratos. Quando não dá, precisamos ser compreensivos.

Um comentário:

  1. É complicado quando a nossa esperança depende de algo ou uma pessoa, por isso é importante estar preparado para um futuro bom ou ruim. É como eu sempre digo, tenho esperança, mas também mantenho os pés no chão para que eu não acabe sendo desapontada. Não é questão de ser positivo ou negativo, mas sim realista em relação ao que se espera, ao que se tem esperança. Mesmo quando 'dá errado', ainda podemos aprender algo da situação, como diz no texto, devemos ser compreensivos. Enfim, amei a reflexão desse post.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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